Lídio arranhou o pi, o atabaque que lhe era de direito, de posição, e lembrou do som reumático, gasguito, da vendida. Deu-lhe uma vontade doida de ter nas mãos fascículos recém-impressos, sentir o cheiro da tinta, qualquer coisa que pegasse o caminho e escoasse em mercados e feiras. uma notícia bombástica, uma ligação telefônica mafiosa, um segredo de estado.
mas naquele apagão, onde só restara a memória ram, não restavam nem feiras nem mercados, quanto mais volantes e cordéis. nem boca do inferno nem cuíca de santo amaro.
Lídio pensa em preparar uma remessa sigilosa, uma leva de livros e enfiar num navio cargueiro como uma garrafa que se joga no mar. Enquanto isso, do silêncio de sua matutagem, nascia em suas mãos uma pequena linha de batuque, possivelmente sampleado da memória do afoxé de algum carnaval.
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